quis tanto aquelas horas que não sabia mais o que fazer com o corpo cada parte autônoma a estalar eu era um aglomerado de peças muito vivas leucócitos aranhas peixes inhames escumadeiras alarmes de carro chaves de dezessete portas distintas em distintos bairros
meu estômago sanfonado repleto de cascas de ostras se chacoalhava
meus ossos de conchas fraturaram-se nos dentes da sala
presa num aquário momento
disse que tinha um neruda pra gente ler
ele, subamos a escada
numa noite de assalto fui dar em sua casa
uma coincidência geográfica nos aproximara
cheia de órgãos tão independentes quis tanto aquela fresta, um terremoto
muda-se a paisagem
meu corpo se retorcia
manhã de asfalto
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
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