poema de libertação ou “prefiro você tímida”
o vento é lúcido e está livre do figurativo
e ele só é porque nos atravessa
cada assunto mais coalho
fortíssima, eu me calo e sinto
tenho sido como o barulho dos pregos na ponte
o chacoalhar debaixo da sola do pé quando nela passa algum pesado veículo
um arrepio, o vento é doce comigo
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múmia
você para mim é eles
não quero quem só me quer de soslaio
ou me abotoa florais camisas de força
eu sei ser muito mais lírica cuspindo na sua cara
covarde
- eu passeio, cabelo de cauda de cometa, como era mesmo? -
múmia
múmia
esquálida e repetitiva
no rico sarcófago
está morta, coitada
“eu não gosto de você quando bebe”
que as instituições legitimem seu corpo frouxo
seu ego escovado seu olhar insosso seu jeito de rio seco
yoga dominical ateísmo exotérico burgo qualquer coisista
um prêmio outro prêmio - enfia no seu coração
eu não tenho assunto com busto
eu não tenho nem assunto,
vampiro
em matéria de dança, sou um desastre
por isso sou tudo
e indócil me quebro em ondas com meu corpo sagrado
o mar não tem coreografia
meta a mão na minha cara
mas não me queira embalsamar por requinte
não se diz ao vento como ele deve soprar
NÃO SE APROXIME DE MIM SE FOR DE MUTILAÇÃO E DE FARELO
a tarde tem um olho furado hoje
alguém viu isso pela lente da cannon?