São Paulo, maio de 2013.
escrevo por vaidade e a vaidade me cai bem
perto de mim todos os amigos
asseados, dizem-se malditos
falam pelos sovacos e sobrancelhas
o vinho de 20 reais passeia suas espirais de tentáculos
por entre as tintas línguas polidas salivas inéditas assuntando palavras lambidas
ah, o hálito-erudição... é seco e adocicado
timbres frutados mordiscam as beiradas dos assuntos recortados nos livros
e os cospem pro alto
e grasnam suas semi-certezas críticas
escrevo por vaidade e a vaidade me cai bem
perto de mim todos os amigos
asseados, dizem-se malditos
falam pelos sovacos e sobrancelhas
o vinho de 20 reais passeia suas espirais de tentáculos
por entre as tintas línguas polidas salivas inéditas assuntando palavras lambidas
ah, o hálito-erudição... é seco e adocicado
timbres frutados mordiscam as beiradas dos assuntos recortados nos livros
e os cospem pro alto
e grasnam suas semi-certezas críticas
cristãos todos eles
todos nós
pregados na cruz do existir, rindo
esse chiclete velho que são as relações superficiais
os ambientes simulacros estufas de gente
gente estufada de si sonhando realizações, legados
os acadêmicos vestem seus palavrórios
conheço o triste cinza da fuligem, nos olhos do dia
o céu imóvel prestes a trincar de tédio
moendo o que resta dos nossos dentes já tão rangidos
o barulho das entranhas palpitando covardia
se acaso a cidade se convertesse em silêncio
poderíamos ouvir essa canção de ruídos que embala nossa existência
os fluidos se movendo estômagos e seus roncos quase ladros
coração
uma mente epiléptica sai nua gritando os arroubos das suas catarses
há quilômetros de bocas cheias falando incompreensões comuns, mastigam rações de pentelhos desses grandes sacudos, os homens que impregnam o mundo com certezas belicistas
a verdade concretada segue a esporrar nos olhos da gente que queira ver
nos gritos agudos de quem perdeu suas retinas
uns afetados farçosos falando de cultura
como broche que se exibe
diante do diploma de mestrado
já dizia o poeta, aquele farto de lirismo comedido
tal qual bilau infantil enrugado
farta estou das existências esquálidas
da pequenez que se dilata e quer ser grandeza
dessa festa de migalhas
me faz vergonha, mundo insosso
roucos espectros abatidos e leitosos
somos nós rastejando pelas cidades
feios nojosos carcomidos
a cada dia convecemo-nos: livres
livres de liberdade, sim
todos nós
pregados na cruz do existir, rindo
esse chiclete velho que são as relações superficiais
os ambientes simulacros estufas de gente
gente estufada de si sonhando realizações, legados
os acadêmicos vestem seus palavrórios
conheço o triste cinza da fuligem, nos olhos do dia
o céu imóvel prestes a trincar de tédio
moendo o que resta dos nossos dentes já tão rangidos
o barulho das entranhas palpitando covardia
se acaso a cidade se convertesse em silêncio
poderíamos ouvir essa canção de ruídos que embala nossa existência
os fluidos se movendo estômagos e seus roncos quase ladros
coração
uma mente epiléptica sai nua gritando os arroubos das suas catarses
há quilômetros de bocas cheias falando incompreensões comuns, mastigam rações de pentelhos desses grandes sacudos, os homens que impregnam o mundo com certezas belicistas
a verdade concretada segue a esporrar nos olhos da gente que queira ver
nos gritos agudos de quem perdeu suas retinas
uns afetados farçosos falando de cultura
como broche que se exibe
diante do diploma de mestrado
já dizia o poeta, aquele farto de lirismo comedido
tal qual bilau infantil enrugado
farta estou das existências esquálidas
da pequenez que se dilata e quer ser grandeza
dessa festa de migalhas
me faz vergonha, mundo insosso
roucos espectros abatidos e leitosos
somos nós rastejando pelas cidades
feios nojosos carcomidos
a cada dia convecemo-nos: livres
livres de liberdade, sim