ainda to em estado de montanha. toda vez que saio não entendo os carros, a estreiteza do tempo, a buzina - pra mim - no momento em que atravesso e
arrisco
os seus compromissos, e acho que não sei mais dar valor à importância em distinguir o verde do vermelho nestas redondas luzes que me acendem a permissão de prosseguir.
sãopa
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
poema de libertação ou “prefiro você tímida”
o vento é lúcido e está livre do figurativo
e ele só é porque nos atravessa
e ele só é porque nos atravessa
cada assunto mais coalho
fortíssima, eu me calo e sinto
tenho sido como o barulho dos pregos na ponte
o chacoalhar debaixo da sola do pé quando nela passa algum pesado veículo
tenho sido como o barulho dos pregos na ponte
o chacoalhar debaixo da sola do pé quando nela passa algum pesado veículo
um arrepio, o vento é doce comigo
--
múmia
você para mim é eles
você para mim é eles
não quero quem só me quer de soslaio
ou me abotoa florais camisas de força
ou me abotoa florais camisas de força
eu sei ser muito mais lírica cuspindo na sua cara
covarde
covarde
- eu passeio, cabelo de cauda de cometa, como era mesmo? -
múmia
múmia
esquálida e repetitiva
no rico sarcófago
está morta, coitada
múmia
esquálida e repetitiva
no rico sarcófago
está morta, coitada
“eu não gosto de você quando bebe”
que as instituições legitimem seu corpo frouxo
seu ego escovado seu olhar insosso seu jeito de rio seco
seu ego escovado seu olhar insosso seu jeito de rio seco
yoga dominical ateísmo exotérico burgo qualquer coisista
um prêmio outro prêmio - enfia no seu coração
um prêmio outro prêmio - enfia no seu coração
eu não tenho assunto com busto
eu não tenho nem assunto,
vampiro
eu não tenho nem assunto,
vampiro
em matéria de dança, sou um desastre
por isso sou tudo
e indócil me quebro em ondas com meu corpo sagrado
o mar não tem coreografia
por isso sou tudo
e indócil me quebro em ondas com meu corpo sagrado
o mar não tem coreografia
meta a mão na minha cara
mas não me queira embalsamar por requinte
mas não me queira embalsamar por requinte
não se diz ao vento como ele deve soprar
NÃO SE APROXIME DE MIM SE FOR DE MUTILAÇÃO E DE FARELO
a tarde tem um olho furado hoje
alguém viu isso pela lente da cannon?
alguém viu isso pela lente da cannon?
A vida é se se acorda e faz-se o dia.
E se chove, chovo.
Se sai a lágrima húngara de deus sobre os vivos - a acesa tangerina, celebro. Me estendo de peito e cauda sob a luz, e feito planta, feito réptil, me caliento.
Sibilo os cortes das ventanias, ignoro as teias de aranha no 'ranca-mato de cada tornozelo.
Se sai a lágrima húngara de deus sobre os vivos - a acesa tangerina, celebro. Me estendo de peito e cauda sob a luz, e feito planta, feito réptil, me caliento.
Sibilo os cortes das ventanias, ignoro as teias de aranha no 'ranca-mato de cada tornozelo.
Tenho manejado o silêncio.
De pés nus sobre o barro, o braile do caminhar noturno até minha casa. Decoro o chão vivo que me ama, sem deitar-lhe pupila, porque somos o mesmo.
Ele é quem anda sobre a sola dos meus pés, e me conduz à ponta da montanha do sonho, pra me pôr uma jaca na palma da mão, e uma estrela vermelha na coxa do dedo.
Ele é quem anda sobre a sola dos meus pés, e me conduz à ponta da montanha do sonho, pra me pôr uma jaca na palma da mão, e uma estrela vermelha na coxa do dedo.
Outro estudo interessante sobre a (im)permanência:
casa, meu pai, é o corpo da gente. e me rio, quando penso que até ele vai-se à terra quando cansar desta superfície.
nada nos pertence.
casa, meu pai, é o corpo da gente. e me rio, quando penso que até ele vai-se à terra quando cansar desta superfície.
nada nos pertence.
O resto são cismas e os avessos da língua.
(Nos dias de empatia me abro para os idiomas do mundo, poetizo, planto, palhaceio, corto as unhas, converso. Nos dias de apatia, oração para levantar cada pálpebra e levar a colher à boca.)
Vale do Capão, fevereiro de 2016. Em resposta à última mensagem de meu pai.
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