A vida é se se acorda e faz-se o dia.
E se chove, chovo.
Se sai a lágrima húngara de deus sobre os vivos - a acesa tangerina, celebro. Me estendo de peito e cauda sob a luz, e feito planta, feito réptil, me caliento.
Sibilo os cortes das ventanias, ignoro as teias de aranha no 'ranca-mato de cada tornozelo.
Se sai a lágrima húngara de deus sobre os vivos - a acesa tangerina, celebro. Me estendo de peito e cauda sob a luz, e feito planta, feito réptil, me caliento.
Sibilo os cortes das ventanias, ignoro as teias de aranha no 'ranca-mato de cada tornozelo.
Tenho manejado o silêncio.
De pés nus sobre o barro, o braile do caminhar noturno até minha casa. Decoro o chão vivo que me ama, sem deitar-lhe pupila, porque somos o mesmo.
Ele é quem anda sobre a sola dos meus pés, e me conduz à ponta da montanha do sonho, pra me pôr uma jaca na palma da mão, e uma estrela vermelha na coxa do dedo.
Ele é quem anda sobre a sola dos meus pés, e me conduz à ponta da montanha do sonho, pra me pôr uma jaca na palma da mão, e uma estrela vermelha na coxa do dedo.
Outro estudo interessante sobre a (im)permanência:
casa, meu pai, é o corpo da gente. e me rio, quando penso que até ele vai-se à terra quando cansar desta superfície.
nada nos pertence.
casa, meu pai, é o corpo da gente. e me rio, quando penso que até ele vai-se à terra quando cansar desta superfície.
nada nos pertence.
O resto são cismas e os avessos da língua.
(Nos dias de empatia me abro para os idiomas do mundo, poetizo, planto, palhaceio, corto as unhas, converso. Nos dias de apatia, oração para levantar cada pálpebra e levar a colher à boca.)
Vale do Capão, fevereiro de 2016. Em resposta à última mensagem de meu pai.
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