quinta-feira, 30 de abril de 2015

eu tenho te amado. são gotas ridículas. gotejando pelos meus dias nas samambaias das casas dos outros, aqui e ali numa telha quando estou de visita, assim e assim numa fresta dum beco sinistro, nos olhos da senhora agora pela greta do portão. amor nos silêncios mínimos do dia. de como soam os chuviscos no alto do novo rumo e todo o novo mundo que vem me alargando e é terno e manso e tudo me dá gosto e me compraz e se encaixa entre meu fígado e apetite.

domingo, 12 de abril de 2015

um diálogo


-                                                   precisamos conversar
           







-                                                                    ?



-                                                 ...sobre pregos e parafusos



-                                             ¿ e martelos e chaves-de-fenda ¿



-                                                      e chuvosas furadeiras



-                                       como é que é isso, esse tipo de conversa?



-       é uma disritmia. por onde se começa uma dança de autodefesa?



-                                               a três passos de distância.





[enxurrada barulhenta no joelho da rua]





sexta-feira, 3 de abril de 2015

conversa privada

olhaaquibroder

vcounao

ops

o capeta tomou meus dedos

perdoe-me se eu começar a escrever de trás pra frente

em aramaico

português é uma língua tão leitosa

um galego que não deu jeito

nas ramificações linguísticas titubeou no galho

e foi ficando

por lagartismo

é meio descomunicável

é babel

e lama

viu

vc vem ou não, criatura?

amor moto-contínuo

os músculos polvilhados de astros

ou um dripping like pollock

puro escorrimento

cintiláceo
de novo e de novo e de velho e de rasgo (não ria)

ou ria
ria-se muito

sobre a minha espuma

de carne e afeto

e têmpora pagã


e depois ouça esse álbum que não tem a ver com nada dessa conversa
de amantes lácteos e caducos

eu amo a possibilidade do desmanche, das mordidas ilógicas nessas letras
é só quentura crônica

e é muito

....................................

agora o álbum
nossa
quanto desartre

desastre



às vezes tudo se bagunça se emaranha
às vezes me falta
me faltam 20 letras num jocoso alfabeto de 26

e eu fico segurando esses milhos na mão

tantas vezes o açude transborda, e o vocabulário vem antes de qualquer imagem

numa velocidade de astronauta

sobre mim, fisicamente

jacas com gigantismo

partindo-se mil vezes sobre a minha cabeça


pravalas