segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Miolo perene do mundo

São Paulo, 03 de abril de 2013.


Contraem-se todos os meus quilogramas 
E os átomos, obscenos
Cada qual em seu próprio transe
Desfigurando esse tecido quase abstrato
Sob a luz do teu quarto

Tal como pálpebra,
Meu grelo

Minha xota ostensiva, assalta a noite,
Corre madrugada engolindo afetações
E embalando as concretudes numa doce viscosidade,
Sobrepõe, por sua natureza pantanosa,
Seu perfume ancestral aos novos e estéreis aromas da cidade

É ofensiva, e nada tem de miúda
Corpulenta, se estende quilometrada em seu próprio negrume
Preenche de carne as arquiteturas inóspitas
Derrama seu leito sobre a mesa de jantar das famílias subnutridas

Polpudo buraco negro
Sobre a cama estendido
Miolo perene do mundo
Árvore invertida

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