quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Para os ilustríssimos notáveis e distintos senhores que brilham nas instituições de nosso século


Gerações de comer-cagar-cagar-comer.
Estufados de sua forma-conteúdo, com todas essas estranhas porcarias sempre à boca; dizeres falso-profundos, repugnantes chicletes já gastos.
Vejo sonoras mandíbulas remexendo, pensam-se graciosas, ouço-as: barulho, apenas.
E quanto mais diplomas acumulam, mais estúpidos canudos de veludo no meio de seus ocos fétidos, não, não os supracitados buracos, não... antes os fossem... falo do Vazio, da condição que nos põe a manjares de vermes - nobríssimos vermes, por sinal -, como falo das traças a corroer seus tratados identitários.

Vocês que mastigam e cospem pro alto as suas experiências serão os pais de família de amanhã.

Vamos ao shopping, amor? E aí nos distraímos d'angústia que encerra nosso lar, que perturba nosso sono, que aumenta nossa pança, que nos aperta - miúdos - aos domingos, e nos entupimos de importadas tranqueiras em embrulhos festivos?

Vamos ao shopping, amor? Para esquecermos que já fomos outros, e nos poluímos duma outr'essência - mas tem sorvete no próximo quiosque, que bom!-, e nossos sonhos fizeram-se requintada sorte de frios na geladeira, e aquela sessão de cinema cheirando a ovas e azeite trufado a preencher o que não mais se preenche, o que da vida já foi-nos tomado.

E o aparelho portátil, oráculo aos dedos, a mantê-los bichos cabisbaixos de assuntos banguelos?

E os assuntados - tamanhos ridículos - em seus guetos, discorrendo pomposos seus clichês tão grudentos, tão frágeis, por tédio ou vaidade retórica, esgueirando-se por trás desses escudos acadêmicos...

E a alma?
E os olhos?
E o ver e o tocar e o ser e o contemplar?

Há um abismo entre a aparência dos seres polidos e íntegros e asseados os quais afirmamos ser, e as vulgares criaturas, repetitivas em um charco grotesco de desafinadas e prolixas argumentações, que realmente somos.

Um comentário:

  1. Aos que vomitam conceitos-talheres prateados
    E engasgam no abismo do conhecer iluminante
    Quedando solitários nas suas entranha...

    Adorei pequena!

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