segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

quis tanto aquelas horas que não sabia mais o que fazer com o corpo cada parte autônoma a estalar eu era um aglomerado de peças muito vivas leucócitos aranhas peixes inhames escumadeiras alarmes de carro chaves de dezessete portas distintas em distintos bairros
meu estômago sanfonado repleto de cascas de ostras se chacoalhava
meus ossos de conchas fraturaram-se nos dentes da sala

presa num aquário momento
disse que tinha um neruda pra gente ler
ele, subamos a escada

numa noite de assalto fui dar em sua casa
uma coincidência geográfica nos aproximara

cheia de órgãos tão independentes quis tanto aquela fresta, um terremoto
muda-se a paisagem

meu corpo se retorcia

manhã de asfalto

2 comentários:

  1. por isso, acho
    vc devia postar mais
    mais poesia mais
    mar e maremoto (terremoto?)
    cada vez
    mais

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  2. ai
    escorreguei, derreti e agorinha
    tô toda grudada no piso
    uma espátula antes de tudo tremer
    mais

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