o que fazer com as palavras mais salobras?
como distingui-las, pescá-las?
tilintam amorfas em furta-cor
diluídas
sobre o leito pastoso
peito do rio
eu não sei nada
da natureza sou citadina
sentadinha neste banco
bloco de concreto
me derramo
pelo sol, rompante asiático
mastigar essas igrejinhas de crepom
que m'interrompem a paisagem?
ou seriam mias protuberâncias não-laicas
a estalar num incômodo?
sonhos caudalosos,
não me contenho feito água
no copo
pacífica até devorar os bichos
que não sabem – esqueceram-se, talvez-
de como se nada,
aos que perderam as barbatanas,
adeus.
estou em poente
o olho puxado do sol
doutro lado da ponte
sem castigo pela vertigem
de ser
e este invento me lava.
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